Este texto estou falando sobre mananciais pois minha cidade natal Ribeirão Pires encontra-se em área de proteção aos manaciais.
As cidades de Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra encontram-se no caminho entre a capital e o litoral, nossas cidades encontram-se numa posição estratégica na região metropolitana. Com a construção da ferrovia, em 1867, não havia paradas na região, Santo André (na época São Bernardo) e Rio Grande. Em 1883 foi criada a estação em Mauá e em 1 de março de 1885 foi inaugurada a estação de Ribeirão Pires. Em seguida começaram a chegar os primeiro imigrantes italianos e o desenvolvimento da vila começou a se acentuar.
Nas décadas de 1930 e 1940 o engenheiro Billings, um dos empregados da extinta concessionária de energia elétrica Light idealizou o represamento de água na região com o intuito de armazenar água para gerar energia elétrica para a usina hidrelétrica Henry Borden, em Cubatão.
Devido à região situar-se a 800 m de altitude (altura em relação ao nível do mar), a água represada através da gravidade transformaria toda sua energia potencial em energia cinética, essa energia moveria as turbinas para geração de energia elétrica. Desse fato nasceu à represa Billings (nome em homenagem ao seu idealizador).
Com a queda do comércio do café associado à crise de 29 na bolsa de New York o país necessitava substituir suas importações. No estado de São de Paulo com o plano de metas do governo JK a região do grande ABC sofreu grandes reflexos dessa industrialização.
O novo padrão de desenvolvimento produziu conseqüências de grandes impactos, dentre eles a urbanização acelerada de São Paulo que consolidou a cidade como metrópole industrial e devido a proximidade a região do ABC recebeu um número grande de indústrias.
Esse forte crescimento econômico indubitavelmente causou impacto nos mananciais, dentre eles a Billings, que é um dos maiores e mais importantes reservatórios de água da Região Metropolitana de São Paulo. Seus principais rios e córregos formadores são o rio Grande ou Jurubatuba, Ribeirão Pires, rio Pequeno, rio Pedra Branca, rio Taquacetuba, ribeirão Bororé, ribeirão Cocaia, ribeirão Guacuri, córrego Grota Funda e córrego Alvarenga.
Percebe-se que com a industrialização da região a represa mudou de foco, de geradora de energia passou a ser um manancial de suma importância para o abastecimento de água da região metropolitana.
Com a globalização e o alto índice de desemprego na década de 90, criou-se um cenário propício de ocupações irregulares de moradias em torno da represa. A Billings possui grandes trechos poluídos com esgotos domésticos, industriais e metais pesados. Apenas os braços Taquecetuba e Riacho Grande são utilizados para abastecimento de água potável pela Sabesp.
As cidades de Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra são banhadas pelos braços da Billings que estão classificados como de extrema, muito alta e alta importância para recuperação e manutenção do manancial. Os municípios de Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra encontram-se totalmente inseridos na lei de proteção aos mananciais com 100% de seus territórios.
A nova lei de proteção aos mananciais de 1997 tem como objetivo de compatibilizar as ações de uso e preservação dos mananciais, a ocupação do solo e o desenvolvimento econômico dessas regiões. Assim o intuito é prover manutenção preventiva ao invés de emergencial quando o manancial já estiver totalmente poluído, o que demanda grandes investimentos.
O grande dilema de Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra é como gerar crescimento econômico sustentável. Ou seja, como gerar condições de uma qualidade de vida aceitável sem agredir o meio ambiente. Um dos grandes impactos da lei para economia desses dois municípios é a fuga de indústrias da região.
Os impactos negativos gerados no meio ambiente em geral são causados pela falta de políticas publicas de moradias e má qualidade dos serviços básicos, mas também é um reflexo do descuido dos próprios moradores, cenas de desperdício de água potável são muito comuns na sociedade atual.
Ao invés da lamentação cabe aos cidadãos cobrarem mais informações das instituições organizadas como: clubes, empresas, igrejas, políticos, prefeitura e governo estadual. Também se faz necessário cobrar dos formadores de opinião principalmente os professores de educação básica, para enraizar desde a mais tenra infância a consciência ecológica no cidadão do futuro.
Alguns dados chegam a causar espanto. Em Cingapura, o governo local resolver reciclar água das privadas e distribuí-las ao povo em garrafinhas. Dados como esse nos fazem refletir que a região metropolitana de São Paulo é a que mais consome e polui as águas destruindo seus últimos mananciais a interesses imobiliários e politiqueiros.
Hoje em plena construção a asa sul do rodoanel Mario Covas passa por região de manancial que cortará um pedaço do território de Ribeirão Pires, cabem as autoridades fazer cumprir as leis, pois a valorização imobiliária será gigantesca e a ocupação dessa região que margeia o rodoanel pode ser ocupada de maneira desordenada. Não basta apenas a população fazer sua parte, mas em contra partida os governos devem resistir aos interesses imobiliários e politiqueiros.
No Brasil estima-se, que 60% dos gastos com internações hospitalares são de pacientes com doenças causadas pela água poluída. As previsões mais sinistras garantem que em 25 anos, uma taça de água potável custará mais que petróleo.




Leia este blog no seu celular